

Eu ando num misto de saudade, ansiedade e angústia ao mesmo tempo. Não sei o quê vai ser de mim daqui a algum tempo. Tenho medo de me perder, sabe? Recuperei tanto da minha alma ultimamente, que receio não ter nada dela ou de ser roubada de novo. Porque, sim, dá pra ter a alma roubada. E não é o tempo que devolve não. Essa história de que “com o tempo passa” é tudo um eufemismo pra verdade, entende? Dói e a única coisa que faz passar é se forçar a esquecer dos próprios erros. Só machuca porque a gente escolheu o caminho errado, ou talvez, o caminho certo pra fazer a coisa errada. Tanto faz o ponto de vista, na verdade. O que eu digo aqui é que dá sim pra ser roubada. Tem tanta gente hoje em dia que acaba prometendo o mundo, não podendo nem dar um pouco do próprio tempo, e o pior é que sempre tem aqueles que acreditam. Na verdade, acho que fazer promessa é sempre uma ideologia muito bonita. Tem tudo aquilo de acreditar firmemente no que está se dizendo, e na verdade, você não tem certeza de nada por dentro. Aí sempre ocorre uma confusão no final das contas. Você promete e não cumpre. Você acredita e machuca. O pior é que é sempre em um plural recíproco que isso acontece. Nasce tão sutilmente.. Porque, vamos combinar, quem é que vai entrar em um compromisso sabendo que no final vai dar tudo errado? Ninguém é tão masoquista à esse ponto, me desculpe. E mesmo que soubessem, ainda sim o sentimento nasceria sutilmente da mesma forma. O erro é querer demais, e acreditar demais que a outra pessoa é totalmente nossa. Essa é a curva da decepção, se quer saber. Nunca ninguém vai ser totalmente de ninguém, porque existe individualidade e pontos de vista diferentes. E tudo isso acaba servindo pra alguém se doar de corpo e alma e acabar tendo que dar adeus pra própria alma, que acabou sendo corrompida por sentimentos frustrados. E é tão ruim, não é? Ver lágrimas caindo incessavelmente dos seus olhos, esperando tudo aquilo que a mente e o coração sabem que não vai acontecer. O quê acontece depois é falta de credibilidade nos outros, meu caro. A gente acaba frio, cético e imperdoável. Mesmo com toda a história de amar ser uma coisa muito pura e bonita. Na teoria, tudo é. Mas enfim, as almas são roubadas no final desse conto-de-fadas. E você sabe que cada pedaço seu foi inventado por outra pessoa também. A gente absorve o que há de melhor nos outros, pense nisso. E aí acaba que a primeira pessoa do singular fica realmente singular. Acaba a pluralidade de acreditar no “nós”. Angústia, medo e ansiedade é o que acontece quando a gente tenta se arriscar e joga tudo o que temos de melhor e de mais seguro pro alto e pra pessoa amada. Talvez tenhamos sorte, mas nunca se sabe se ele(a) vai realmente segurar a nossa mão como deveria. Daí o que nos resta é esperar tudo acabar, entende? Porque todos nós sabemos que amar é um ato extremamente perigoso. E mesmo assim, a gente continua amando o mundo, amando tudo e todos. A coragem continua, não pense que não. Mas estar de corpo e alma novamente dói. Ver as coisas acabarem dói. Pensar em alguém que não está mais do seu lado dói horrivelmente. E olha só, a gente continua fazendo tudo isso… De um jeito ou de outro, somos seres humanos. Sabemos que a única coisa que nos motiva é a dificuldade, porque sem ela, não nos arriscaríamos milhões de vezes até encontrar a pessoa que valha a pena realmente. E amar é um erro que a alma comete quantas vezes for preciso pra encontrar a sua outra metade. É por isso que a gente continua nesse ciclo infinito. Só por isso.
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